A Desromantização do Aleitamento Materno
Palavras-chave:
Aleitamento materno, Maternidade, Saúde da mulher, Saúde Materno-Infantil, Estigma SocialResumo
A amamentação é amplamente reconhecida como prática essencial à saúde materno-infantil, mas seu processo nem sempre é vivenciado com conforto e naturalidade pelas mulheres. Este estudo teve como objetivo analisar os desafios enfrentados por mães durante o aleitamento, investigar o acesso a informações sobre o tema e relacionar esses achados à literatura científica, a fim de compreender a distância entre a expectativa social sobre a amamentação e a realidade vivida por essas mulheres. Trata-se de estudo descritivo de abordagem mista (quantiqualitativa), realizado por meio de formulário digital aplicado entre maio e junho de 2026, com 19 perguntas, tendo sido respondido por 50 mulheres com ou sem filhos. Os resultados mostraram que 80% das participantes percebem a amamentação como romantizada na sociedade, enquanto apenas 30% a consideram essencial ao cumprimento do papel materno; 40,9% das mães relataram dor de alta intensidade (níveis 4 e 5 de uma escala de 5) e 38% não se consideraram adequadamente informadas sobre o tema. Constatou-se que a decisão de amamentar depende de fatores fisiológicos, clínicos, emocionais e sociais, e não apenas da vontade materna, além da presença de julgamento social relacionado à amamentação em público e pressão estética sobre o corpo pós-parto. Conclui-se que desromantizar o aleitamento materno não significa desvalorizá-lo, mas reconhecer suas dificuldades, de modo a reduzir a culpabilização das mães e ampliar o suporte oferecido a elas.
Abstract
Breastfeeding is widely recognized as an essential practice for maternal and infant health, but the process is not always experienced with comfort and ease by women. This study aimed to analyze the challenges faced by mothers during breastfeeding, investigate the availability of information on the subject, and relate these findings to the scientific literature, in order to understand the gap between social expectations surrounding breastfeeding and the reality experienced by these women. This is a descriptive study with a mixed-methods approach (quantitative-qualitative), conducted through a digital survey administered between May and June 2026, consisting of 19 questions and 50 responses obtained from women with or without children. The results showed that 80% of participants perceived breastfeeding as romanticized, while only 30% considered it essential to motherhood; 40.9% of mothers reported high-intensity pain (levels 4 and 5 on a 5- point scale) and 38% did not feel adequately informed. It was found that the decision to breastfeed depends on physiological, clinical, emotional, and social factors, and not solely on maternal will, in addition to social judgment related to breastfeeding in public and aesthetic pressure regarding the postpartum body. It is concluded that deromanticizing breastfeeding does not mean devaluing it, but rather acknowledging its difficulties, in order to reduce maternal guilt and expand the support offered to these women.
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