Uso de Canabinoides e Possível Redução de Psicofármacos em Pacientes com Doença de Alzheimer: Um Estudo Observacional Exploratório
Palavras-chave:
Doença de Alzheimer, Canabinoides, Comportamento agressivo, Agitação psicomotora, DesprescriçãoResumo
A Doença de Alzheimer (DA) cursa frequentemente com sintomas comportamentais que exigem o uso de psicofármacos, medicações associadas a alto risco de efeitos adversos em idosos. Nesse cenário, os canabinoides têm sido investigados como uma alternativa terapêutica. Objetivo: Avaliar, sob a perspectiva de familiares/ responsáveis, o impacto do uso de canabinoides na evolução dos sintomas comportamentais e na redução de psicofármacos em idosos com DA. Métodos: Estudo observacional e transversal realizado via questionário digital. A amostra incluiu pacientes com idade acima de 70 anos, diagnóstico de DA e uso de canabinoides há pelo menos três meses. Os dados foram analisados por estatística descritiva. Resultados: Foram 26 respondentes, sendo que a maioria dos pacientes estava na fase moderada da doença (53,8%). O óleo sublingual full spectrum rico em canabidiol foi a formulação mais utilizada, com tempo de tratamento superior a um ano em 76,9% da amostra. Os responsáveis relataram melhora na qualidade do sono (80,8%), agitação (76,9%), ansiedade (69,2%) e agressividade (57,7%). Efeitos adversos foram notados por 30,8%, sendo a sonolência diurna o principal. O achado de maior destaque clínico foi a suspensão ou redução de medicamentos prévios em 42,3% da amostra. Esse fato ocorreu exclusivamente nos pacientes com mais de um ano de terapia canabinoide. Observou-se, ainda, uma queda pela metade no uso de antipsicóticos atípicos (de oito para quatro usuários). Conclusão: O uso de canabinoides associou-se à percepção de melhora comportamental e demonstrou um importante efeito poupador de psicofármacos em tratamentos de longo prazo. Esses achados documentam a prática clínica real e embasam a necessidade de ensaios controlados para consolidar a intervenção como estratégia de desprescrição na psicogeriatria.
Abstract
Background: Alzheimer's Disease (AD) frequently presents with behavioral symptoms that require the use of psychotropic drugs, medications associated with a high risk of adverse effects in the elderly. In this setting, cannabinoids have been investigated as a therapeutic alternative. Objective: To evaluate, from the perspective of family members/caregivers, the impact of cannabinoid use on the progression of behavioral symptoms and the reduction of psychotropic drugs in elderly patients with AD. Methods: An observational, cross-sectional study conducted via a digital questionnaire. The sample included patients aged over 70 years, with a diagnosis of AD, and using cannabinoids for at least three months. Data were analyzed using descriptive statistics. Results: There were 26 respondents, with the majority of patients in the moderate stage of the disease (53.8%). Sublingual cannabidiol-rich full-spectrum oil was the most used formulation, with a treatment duration of over one year in 76.9% of the sample. Caregivers reported improvements in sleep quality (80.8%), agitation (76.9%), anxiety (69.2%), and aggressiveness (57.7%). Adverse effects were noted by 30.8%, with daytime sleepiness being the main one. The most prominent clinical finding was the discontinuation or dose reduction of previous medications in 42.3% of the sample. This phenomenon occurred exclusively in patients with more than one year of cannabinoid therapy. Furthermore, there was a 50% drop in the use of atypical antipsychotics (from eight to four users). Conclusion: The use of cannabinoids was associated with perceived behavioral improvement and demonstrated an important psychotropic-sparing effect in longterm treatments. These real-world findings support the need for controlled trials to consolidate this intervention as a deprescribing strategy in psychogeriatrics.
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